Se tem uma coisa que o mercado me ensinou é que não adianta olhar gráfico sem fundamento, nem olhar fundamento sem entender o timing. Ao longo da minha jornada, desenvolvi um processo de screening próprio: simples, direto e objetivo.
O objetivo é filtrar empresas com qualidade real e só dar o “clique” quando o mercado confirma a direção. Eu não tento adivinhar nada; eu espero o alinhamento perfeito entre qualidade, crescimento, preço e fluxo.
O Princípio: Qualidade Primeiro, Tendência Depois
A lógica é mecânica. Primeiro, eu passo um “pente fino” para encontrar empresas boas de verdade. Depois, eu só entro na operação quando o gráfico me mostra que a tendência de alta começou.
Aqui estão os 7 critérios fundamentalistas que eu uso no meu radar:
1. PEG Ratio (Preço / Crescimento)
- Filtro: Mínimo de 0,01 (não aceito valor negativo).
- Por que uso: Ele me diz se a empresa está cara ou barata em relação ao quanto ela cresce. É o equilíbrio entre valor e expansão.
2. P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial)
- Filtro: Máximo de 1,5.
- Por que uso: Procuro ativos que ainda não estejam com o preço excessivamente “esticado” em relação ao patrimônio líquido.
3. EV/EBITDA
- Filtro: Entre 0,01 e 15.
- Por que uso: Ajuda a evitar empresas com valuation distorcido ou excessivamente caras pelo que geram de caixa.
4. Dívida Líquida / EBIT
- Filtro: Entre 1 e 3.
- Por que uso: Saúde financeira é inegociável. A empresa precisa ter uma dívida controlada e perfeitamente pagável pelo seu operacional.
5. Margem Líquida
- Filtro: Mínimo de 10%.
- Por que uso: Isso separa empresas eficientes daquelas que “faturam bilhões, mas ganham centavos”. Margem é segurança.
6. CAGR de Lucros (5 anos)
- Filtro: Mínimo de 10%.
- Por que uso: Crescimento consistente de lucro nos últimos 5 anos é o combustível que faz a ação subir no longo prazo.
7. Liquidez Média Diária
- Filtro: Mínimo de R$ 500 mil.
- Por que uso: Sem liquidez, não há operacional. Eu preciso ter a garantia de que posso entrar e sair da posição sem “derreter” o preço.
O Filtro Final: Onde o Gráfico entra no Jogo?
Muita gente comete o erro de comprar uma empresa só porque os números são bons. Eu não faço isso. Eu espero o mercado confirmar que “concorda” com os fundamentos.
Meu critério técnico final é binário:
- Preço acima da média móvel de 200 períodos.
- Tendência de alta confirmada.
Só depois dessa confirmação é que eu realizo o aporte. Esse modelo resolve dois problemas clássicos: evita que eu compre uma empresa boa que não para de cair (o famoso “pegar faca caindo”) e evita que eu compre qualquer “lixo” só porque está subindo rápido.
Conclusão: Menos Emoção, Mais Processo
Esse screening não é uma fórmula mágica, mas é um processo lógico, replicável e consistente. É assim que eu limpo o ruído do mercado e foco apenas no que tem maior probabilidade estatística de retorno.
Se você está começando ou se sente perdido com tantas opções na Bolsa, tente adotar filtros claros. Menos emoção, mais processo. O mercado decide o resto, mas você decide o risco que aceita correr.
